Manuel Grau 3° – v.3.xx
EXORTAÇÃO e PRANCHA TRAÇADA DO 3º GRAU

Instrutor- Cada um dos nossos três GGr∴ tem o seu dever específico: o de AM∴, dever para com Deus; o de CM∴ dever para com o seu próximo; o de MM∴, dever para consigo próprio. Não há qualquer inversão nesta ordem, nem a Maçonaria difere da natureza na sequência dos seus ensinamentos. Deus vem sempre em 1º, porque dele viemos e por ele existimos. O nosso próximo vem a seguir, porque o próprio Deus assim o ordenou nos seus Mandamentos. Por último vimos nós.
786 A tua/vossa condição de homem/homens não depende da tua/vossa posição, mas do teu/vosso carácter. Alcançá-la está nas tuas/vossas mãos. Muitos acham que ela vem com a fama. Não acredites/acrediteis nisso. Busca/Buscai a verdadeira definição do que é ser homem e guarda-a/guardai-a como exemplo. Não tenhas/tenhais duas faces, uma para os conhecidos e outra oculta. Sê/Sede um homem de verdade na tua/vossa casa e na vida externa. Não te/vos amesquinhes/amesquinheis, buscando notoriedade. Mesmo quando só/sós, que a tua/vossa solidão seja a do cavalheiro que existe em ti/vós. Fala/Falai aos homens com as mesmas expressões com que te/vos diriges/dirigis à tua/vossa mãe. Olha/Olhai as mulheres como gostarias/gostaríeis que os outros homens olhassem as tuas/vossas irmãs. Repele/Repeli o linguajar sujo como se fosse um atentado à tua/vossa educação. Exige/Exigi tratamento respeitoso do teu/vosso próximo, mas sê/sede o(s) 1o(s) a respeitar-te/vos a ti/vós mesmo(s). Que nada te/vos seja mais intolerável do que diminuir-te/vos: procura/procurai elevar os outros e recusa-te/recusai-vos a ser rebaixado(s). Nunca meças/meçais a tua/vossa importância pelos teus/vossos títulos ou pelas tuas/vossas posses, mas sim pelo teu/vosso carácter e pela tua/vossa sinceridade ao falar. Faz/Fazei que os outros reconheçam em ti/vós um cavalheiro.
787 O ensinamento deste Gr∴ indica, portanto, que é teu/vosso dever fazer o máximo e o melhor de ti/vós por ti/vós mesmo(s). Esta é a tua/vossa obrigação como um homem/homens entre homens; como filho(s), marido(s) ou pai(s); como cidadão(s) desta grande Nação; enfim, como o ápice de todas as coisas criadas, porque o(s) homem/homens verdadeiro(s) é/são a imagem humana de Deus, do Maçom.

788 O teu/vosso zelo pela Instituição Maçónica, o progresso que fizeste/fizestes nos mistérios e a tua/vossa conformidade com os nossos regulamentos destacaram-te/vos como legítimo objecto do nosso favor e estima.
Estás/Estais agora obrigado(s) pelo dever, pela honra e pela gratidão, a manteres-te/manterdes-vos fiel/fiéis à nossa confiança, a preservar a dignidade do teu/vosso carácter em cada ocasião e a promover, por ensinamentos e exemplo, os princípios da Fraternidade.
790 Como Mestre(s) Maçom(s), estás/estais autorizado(s) a corrigir erros e irregularidades dos vossos IIr∴ menos informados e a fazer com que se guardem de infidelidades. Preservar o bom nome da Fraternidade deve ser o teu/vosso cuidado constante. Estimula/Estimulai a benevolência e, pela regularidade do teu/vosso procedimento, dá/dai o melhor dos exemplos aos menos informados. Os antigos Landmarks da nossa Ordem, entregues aos teus/vossos cuidados, devem ser cuidadosamente preservados. Não permitas/permitais nunca que sejam infringidos ou aceiteis deturpações nos nossos usos e costumes.
791 A tua/ vossa virtude, honra e reputação devem ser consistentes com a dignidade da posição que agora tens/tendes. Que nenhum motivo te/vos desvie das tuas/vossas obrigações ou te/vos leve a violar os teus/vossos Juramentos. Sê/Sede fiel/fiéis e verdadeiro(s). Imita(i) o exemplo do célebre Artífice que representaste(s) neste Gr∴. Assim serás/sereis digno(s) da honra que te/vos foi conferida e merecerás/merecereis a confiança que depositamos em ti/vós.
VM∴ ou Instrutor – A História Sagrada informa-nos que foi determinada a fundação de um Templo em Jerusalém, erigido a Deus e dedicado ao Seu Santo Nome.
823 A alta honra e o privilégio de executar estes serviços sagrados foram negados a David, Rei de Israel, porque, como nos informam as Escrituras, ele tinha provocado grandes guerras e derramado muito sangue. Também aprendemos, da mesma fonte sagrada, que o Deus de Israel tinha prometido a David que dele descenderiam os que O serviriam.
824 Esta divina e memorável promessa foi, mais tarde, cumprida na pessoa de Salomão e na sua esplêndida e inédita carreira de prosperidade. Depois de David ter sido conduzido a seus pais e de ter recebido as últimas honras prestadas à sua memória, Salomão empunhou o ceptro de Israel e a paz reinou dentro das suas fronteiras. Os filhos de Israel exultaram com a demonstração de sabedoria que estava destinada a surpreender e a encantar o mundo.
825 No 2ºmês do quarto ano do seu reinado, Salomão começou a erigir este edifício. O minucioso trabalho foi calculado para despertar a admiração e o espanto das eras futuras. Estava localizado no Monte Moriah, visível além do piso de debulhar de Ornan, o Jebusita, perto do local onde Abraão quase sacrificou o seu filho Isaac e onde David encontrou e acalmou o anjo da destruição.
826 Por essa época, o Rei Salomão recebeu uma carta de HRT∴, saudando-o e oferecendo-lhe toda a assistência possível e manifestando um forte desejo de compartilhar das honras junto do Trono de Israel. Desta forma, a construção progredia, com a assistência de HRT∴ e sob a imediata supervisão do nosso antigo G∴M∴ operativo, H∴A∴. Estava quase completo quando alguns Artífices, numa tentativa de extorquir do G∴M∴HA∴ a Plv∴M∴, se tornaram nos seus assassinos. Assim, por um curto período, a construção foi impedida de progredir.
827 A conspiração dos três rufiões com outros doze Obr∴, a confissão dos doze e a derradeira descoberta do corpo do G∴M∴HA∴ foi retratada neste Gr∴.
828 Além disso, a história maçónica relata que os restos do G∴M∴HA∴ foram exumados da sua cova rasa, transportados ao Templo e, de lá, ao lugar da sepultura. Esta era o mais próximo do inacabado Sanctum Sanctorum que as Leis Judaicas permitiam.
829 Sobre a sua sepultura foi erigido um monumento de fino mármore. Nele, uma virgem chora sobre uma coluna quebrada. Na sua mão direita, há um ramo de acácia; na sua mão esquerda, uma urna; diante dela, um livro aberto; e, por trás dela, a alegoria do Tempo, desenrolando e contando as madeixas do seu cabelo.
830 A coluna quebrada lembra que tombou um dos principais suportes da Maçonaria; a virgem em lágrimas, a morte prematura do G∴M∴HA∴; o ramo de acácia, o guia da recuperação dos seus restos, ainda a tempo; a urna, o ataúde onde as suas cinzas foram seguramente depositadas; o livro aberto, a sua memória que estará para sempre registada entre os Maçons; o Tempo significa que, embora o G∴M∴HA∴ não esteja mais entre nós e a Plv∴M∴ esteja perdida, com tempo, paciência e perseverança – com o qual completamos todas as coisas – a verdadeira Plv∴ poderá ainda ser descoberta e trazida à luz.
HISTÓRIA – SEGUNDA PARTE
(Pode ser dada no interior do Templo.)
831 VM∴ ou Instrutor –Dois eventos foram marcantes na edificação do Templo. A História Sagrada informa-nos que não se ouvia som de machado, martelo ou qualquer ferramenta de metal na construção. O historiador Josefus5 narra que, embora fossem empregues mais de sete anos na sua edificação, não choveu durante todos esses dias, excepto quando os Artífices iam para o descanso, para não os atrapalhar no seu trabalho. Isto pode ser interpretado como manifestação da graça da Divina Providência.
832 Diz-se que este edifício era apoiado em mil quatrocentas e cinquenta e três colunas e duas mil novecentas e seis pilastras, todas talhadas no mais fino mármore.
833 Na edificação foram empregues três Grão-Mestres, três mil e trezentos Mestres ou Supervisores do trabalho, oitenta mil Companheiros ou cortadores nas montanhas e pedreiras, e setenta mil Aprendizes ou carregadores de fardos. Todos foram classificados e organizados pela sabedoria do Rei Salomão, de tal modo que, nem inveja, discórdia ou confusão interromperam ou perturbaram a paz e a boa camaradagem que prevaleceu entre os trabalhadores.
834 Também encontramos neste Gr∴ uma terceira e última classe de símbolos: os Três Pilares, os Três Passos, o Pote de Incenso, a Colmeia de Abelhas, o Livro das Constituições guardado pela Espada do GE∴, a Espada apontada para o Coração desnudo, o Olho-que-Tudo-Vê, a Âncora e a Arca, o 47º Problema de Euclides, a Ampulheta e a Foice.
835 O Livro das Constituições, guardado pela Espada do GE∴, recorda-nos que devemos estar sempre atentos aos nossos pensamentos, palavras e acções, particularmente quando na presença de inimigos da Maçonaria, lembrando sempre as reais virtudes Maçónicas: Silêncio e Circunspecção.
836 A Espada apontada para o Coração Desnudo mostra que a Justiça, cedo ou tarde, nos alcançará. Embora os nossos pensamentos, palavras e acções possam ser ocultos aos olhos dos homens
837 O Olho-que-Tudo-Vê – a quem o Sol, a Lua e as estrelas obedecem e sob o cuidado de Quem até mesmo os cometas percorrem as suas órbitas incríveis – não deixa de buscar os recônditos mais íntimos do coração humano, recompensando-nos de acordo com os nossos méritos.
838 A Âncora e a Arca são símbolos da esperança bem fundada e de uma vida bem vivida. São emblemáticos da Arca Divina, que nos conduz pelo mar tempestuoso das vicissitudes, e da Âncora, que deve fundear no porto seguro, lá onde os que semeiam a desavença deixam de actuar e os exaustos repousam.
839 O 47º Teorema de Euclides, que demonstra a relação entre triângulos rectos e quadrados, ensina-nos, como Maçons, a amar as Artes e as Ciências em geral.
840 A Ampulheta é um símbolo da vida humana. Observai quão rápido se esvai a areia. As nossas vidas decorrem do mesmo modo! Contemplando os pequenos grãos que fluem quase imperceptivelmente, espantamo-nos quando, no curto espaço de uma hora, – todos se foram. Assim fenece o homem! Hoje, ele vê brotar as tenras folhas da esperança; amanhã, elas florescem para seu orgulho; depois, vem a geada que queima os ramos; e quando o homem ainda pensa que está em ascensão, tomba como as folhas do Outono para fertilizar a terra-mãe.
841 A Foice é uma alegoria do tempo que corta o frágil fio da vida e nos lança na eternidade. Vede quanto drama, a foice do tempo traz à raça humana! Se, por sorte, escaparmos das doenças na infância e na juventude, e atingirmos os anos da maturidade com saúde e vigor, ainda assim, em breve, deveremos cair ante a foice do tempo e seremos levados para onde os nossos pais foram antes de nós.
842 Peço agora vossa atenção para a terceira e última classe de símbolos. Devem ser tão bem guardados como os que já recebestes. São o Malho de Assentar, a Pá, a Urna e o Ramo de Acácia.
843 O Malho de Assentar é representa aquele com que o G∴M∴HA∴ foi abatido.
844 A Pá recorda o instrumento que foi usado para reabrir a sua sepultura. Ela recorda-nos que, muito em breve, um instrumento similar pode ser usado para abrir as nossas.
845 A Urna lembra o ataúde em que os seus restos foram finalmente depositados.
846 Estes, meus IIr∴, são símbolos impressionantes. Para as mentes sensatas, servem de profundas meditações. Porém, ao reflectir sobre o Ramo de Acácia, ainda verde sobre a sepultura, somos relembrados da nossa componente imortal, aquela que sobrevive à própria sepultura e que jamais, jamais, morrerá.

A prancha traçada do terceiro grau comunica uma lenda que é representada de alguma forma em quase todas as culturas do mundo. A lenda transmite um evento catastrófico que resulta numa perda profunda que impõe grandes dificuldades a toda a humanidade. A dada altura é encontrado um meio de reverter a situação e é restaurado o estado original da humanidade. É a história da queda do homem e a jornada extraordinária envolvida em voltar para a consciência de Deus. A Maçonaria usa imagens da morte para representar esta queda, mas torna claro que a morte não é uma morte física, mas antes um tipo psicológico de morte que ocorre quando perdemos a direcção moral. O ritual do terceiro grau poderosamente ilustra o processo envolvido na morte do “Eu” e o tipo de ressurreição, que se realiza dentro de nós quando nos mudarmos para uma maior e mais profunda compreensão de nossa natureza e nossa razão de ser.
1 174 Se considerarmos os três graus simbólicos, juntos, podemos entender melhor o trabalho que se deve realizar no nosso “Eu” em cada um dos níveis, mais uma vez, meditando sobre as três jóias móveis. A pedra áspera do aprendiz diz-nos quem somos e prova-nos que devemos ter responsabilidade individual para a nossa vida, se queremos fazer progressos reais. A pedra perfeita do companheiro mostra-nos que há um critério absoluto dentro da nossa alma, pelo qual devemos medir a nossa moralidade. O estirador do mestre pedreiro mostra o retracto grande. Cada indivíduo, se for a vontade de Deus, pode transcender as limitações da vida humana comum e realizar o seu potencial mais elevado.
